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WWE no Brasil: uma noite inesquecível para os fãs do wrestling

28/05/2012

Fã se enrola em bandeira do Brasil com o logo da WWE.

Como grande fã de wrestling profissional, esperei por este momento por mais de 20 anos… sem dúvida demorou, mas o momento chegou: a WWE, principal companhia no mundo do chamado ‘esporte de entretenimento’, fez o seu primeiro show ao vivo em terras brasileiras. Um roteiro digno de novela marcou esta vinda: tensão, suspense, decepção, alegrias, surpresas… ingredientes que fizeram desta uma noite inesquecível.

O wrestling profissional, também conhecido como luta livre (e antigamente como telecatch) fez grande sucesso no Brasil na década de 60 e 70, com ídolos como Ted Boy Marino, Fantomas, Múmia, entre outros. No início da década de 90, voltou à TV Manchete com o programa ‘Super Catch’ e fez certo sucesso mas, com o fim do programa, ficou muitos anos longe da televisão brasileira.
Em 2007, o SBT passa a exibir os programas da WWE, conquistando uma nova geração de fãs brasileiros para a luta livre profissional. Mas o retorno durou apenas cerca de um ano, quando teve sua exibição interrompida pela emissora.
Em 2011, o Esporte Interativo adquiriu os direitos de exibição da WWE, dedicando grande espaço em sua programação para a luta livre. Nesta nova fase, a marca conseguiu mais fãs e se fortaleceu no nosso país, o que tornou possível a vinda de um evento ao vivo da companhia ao nosso país.

Meu irmão e eu… exibindo nossos ingressos!

Os fãs brasileiros do wrestling entraram em polvorosa quando a WWE anunciou que, em seu tour pela América do Sul, passaria por São Paulo e Rio de Janeiro nos dias 23 e 24 de maio, respectivamente. A euforia se transformou em apreensão quando o evento carioca foi cancelado pela baixa procura de ingressos… mas o evento em São Paulo continuava em pé.
Os dias foram passando e a data se aproximando, o que aumentava a ansiedade dos fãs! Mas, na noite do 22 de maio, o voo que traria os lutadores dos EUA para o Brasil foi cancelado por causa do mal tempo, o que colocava em risco a realização do show ao vivo em São Paulo. Não haveria tempo hábil para a chegada dos profissionais da WWE e o evento foi adiado para o dia seguinte (na data originalmente reservada para o Rio de Janeiro). Para piorar, uma greve dos metroviários de São Paulo deixou a cidade caótica…

Fãs vestem camisetas e máscaras de seus lutadores preferidos.

Mas, depois de tantos problemas, finalmente chegou o dia do primeiro evento ao vivo da WWE no Brasil. O show teria início às 20h30, mas os fãs já começaram a chegar no Ginásio do Ibirapuera na hora do almoço! Devidamente vestidos com as camisetas e máscaras de seus lutadores favoritos, os fãs aproveitaram o tempo para tirar fotos, trocar histórias e também comprar produtos oficiais da WWE (mesmo que um tanto caros) nos dois stands montados no local.
Fãs do país inteiro estiveram no ginásio… pude conversar com pessoas de lugares distantes como Rio Grande do Sul, Paraná, Sergipe, Amazonas, etc. O ginásio estava com cerca de 6 mil pessoas presentes (aproximadamente 50% de ocupação)… provavelmente perdeu-se um pouco de público com o adiamento do show para o dia seguinte. Mas, mesmo com um público apenas bom (mas que superou minh expectativa), a animação era contagiante!

Tem início o show tão esperado!

No horário marcado, o locutor Justin Roberts anunciou o início do evento, que levou o público presente ao delírio. O show teve todos os ingredientes que consagraram a luta livre profissional: golpes plásticos, lutadores “voando” pelo ringue, provocações e algumas confusões!

O primeiro combate da noite foi realizado pelo gigantesco Brodus Clay, que foi acompanhado até o ringue pelas suas belas dançarinas Naomi e Cameron, e o fanfarrão JTG. Preferido da torcida, Brodus Clay saiu vencedor e, ao final da luta, arriscou alguns passos de dança com suas dançarinas e três crianças convidadas a subir no ringue.

Momento da luta entre Brodus Clay e JTG.

Ao final da luta, Brodus Clay e suas dançarinas dançam com três pequenos fãs.

A segunda luta contou com a presença do ‘mocinho’ (conhecidos como ‘face’) Alex Riley contra o arrogante David Otunga, um ‘vilão’ (conhecidos como ‘heel’). Apesar de muito vaiado pela torcida, David Otunga saiu vencedor. Mesmo derrotado, Alex Riley saiu muito aplaudido e, após o show, elogiou bastante o público brasileiro em seu twitter, dizendo que o “público brasileiro foi o mais barulhento e empolgado para quem se apresentou”.

David Otunga desfere uma cotovelada em Alex Riley.

A terceira luta foi a que menos empolgou o público já que contou com dois lutadores que normalmente atuam como ‘heels': Michael McGillicutty e Curt Hawkins. Numa luta repleta de reviravoltas, McGillicutty acabou conquistando a maioria da torcida e saiu vencedor…

Curt Hawkins tenta imobilizar Michael McGillicutty na luta.

Na quarta luta, dois dos mais populares lutadores da companhia: The Miz, um ‘heel’ que todos amam odiar, e Zack Ryder, lutador que conseguiu espaço na WWE ao lançar um canal próprio no YouTube com vídeos muito bem humorados sobre o universo do wrestling. The Miz, dono de uma inegável habilidade no microfone, inflamou a torcida com uma série de ofensas, provocações e xingamentos ao público, devidamente faladas em português. Zack Ryder vingou a torcida e derrotou o provocador rival.

The Miz provoca a torcida durante sua luta com Zack Ryder.

Na saída do ringue, Ryder foi atacado pela dupla porto-riquenha Primo e Epico, que fariam a quinta luta da noite. No ringue, falando em espanhol, os dois ofenderam o público e o Brasil, o que provocou grandes vaias da torcida. Em seguida, os favoritos do público R-Truth e Kofi Kingston (campeões de duplas da WWE) entraram no ringue para delírio dos presentes. O combate foi equilibrado e teve a vitória (temporária) dos vilões. Mas, devido a uma ilegalidade cometida, a vitória foi anulada e o combate, reiniciado. Após o reinício, os mocinhos derrotaram os porto-riquenhos e mantiveram seus cinturões de campeões…

Enquanto R-Truth auxilia seu companheiro Kofi Kingston, Epico comemora ao fundo.

A sexta luta foi a única entre mulheres, chamadas na WWE de ‘divas’. A queridinha do público Kelly Kelly (há alguns anos um dos principais símbolos sexuais dos EUA) foi muito aplaudida e enfrentou Beth Phoenix. Muito mais forte, Beth Phoenix dominou o combate e saiu vencedora, para tristeza da plateia que torcia para a simpática Kelly Kelly.

Kelly Kelly sofre nas mãos de Beth Phoenix.

O sétimo combate contou com um dos principais astro da WWE, John Cena. Um dos maiores campeões da companhia, Cena sempre interpreta um dos ‘bonzinhos’ e, por isso, é adorado pelas crianças. Porém, as opiniões em relação ao lutador se dividem entre os mais velhos: enquanto uns o adoram, outros o detestam. Durante sua entrada, uma bandeira do Brasil foi jogada no ringue… Cena a pegou e exibiu para a o público, arrancando aplausos das arquibancadas. Seu rival foi o convencido e talentoso Dolph Ziggler, que foi acompanhado ao ringue pelo galês Mason Ryan, um verdadeiro monstro de músculos!!
A luta foi repleta de reviravoltas e animou a galera presente no ginásio. Além de ter que lidar com Ziggler, Cena ainda sofreu com a interferência de Mason Ryan na sua luta. David Otunga também invadiu a luta e agrediu Cena com uma muleta… mas, apesar das várias interferências e da situação adversa, John Cena conseguiu sair vencedor!

John Cena encara Mason Ryan e Dolph Ziggler.

Por fim, na oitava e principal luta da noite, dois dos melhores e mais carismáticos lutadores da companhia se enfrentaram pelo cinturão de campeão da WWE: Chris Jericho e o campeão CM Punk. Punk, como um bom ‘face’, também pegou uma bandeira do Brasil e a agitou para o público, que foi ao delírio. Jericho já fez o oposto: pegou a bandeira, a embolou em suas mãos, jogou no ringue e a chutou, para completo ódio do público!

Para delírio do público, CM Punk exibe a bandeira brasileira.

Jericho, como um bom vilão, pegou a bandeira, a atirou no chão e a chutou.

O duelo foi equilibrado, cheio de reviravoltas e empolgava a plateia… mas, teve que ser interrompido por alguns momentos para que Jericho pegasse um microfone e se desculpasse por ter chutado a bandeira brasileira. Isso porque a polícia militar, que fazia a segurança do show, tentou dar ordem de prisão ao lutador por ter desrespeitado um de nossos símbolos pátrios.

O momento em que a luta teve que ser paralisada para que Jericho se desculpasse por ter chutado a bandeira brasileira.

Depois da interrupção, a luta foi retomada e foi certamente a melhor da noite! CM Punk vingou a torcida, derrotou Chris Jericho e manteve seu cinturão de campeão da WWE. Ao final da luta, Jericho se retirou rapidamente e foi abordado pela polícia, que o aguardava. Depois de prestar depoimento, o lutador foi liberado. Enquanto isso, CM Punk comemorava com seus fãs… chegando, inclusive, a correr pelas arquibancadas do ginásio!

E, com isso, terminava uma noite mágica para os fãs brasileiros da WWE e da luta livre profissional. Uma espera que realmente valeu a pena esperar por tanto tempo! Que esta noite tenha sido apenas a primeira de muitas que ainda acontecerão!

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Na minha opinião, o show foi um grande sucesso e marcou aos fãs presentes. Porém, acho que ainda existam algumas coisas que possam ser melhoradas!
– A WWE é extremamente popular em diversos países, mas ainda está “engatinhando” no Brasil. Por isso, achei precipitado marcar o show em um local tão grande! Se fosse em um ginásio um pouco menor, ele não pareceria tão vazio como estava.
– A divulgação do show não foi tão eficiente pois, vendo a repercussão em sites e fóruns na internet, muitos fãs de luta-livre sequer sabiam de sua realização.
– Os preços dos ingressos estavam bem fora da realidade brasileira, o que pode ter afastado muitos fãs! Para se ter uma ideia, o ingressos mais caros saíam por R$ 720,00. Os alimentos e bebidas vendidos dentro do ginásio também eram muito caros!
– A venda dos produtos oficiais também pode ser melhorada: haviam apenas dois pontos de venda (que ficaram tumultuados), os preços eram um pouco ‘salgados’ e acho que a quantidade de produtos foi mal pensada… quando fui comprar uma camiseta, já estavam esgotadas!

Meu irmão tenta se aproximar de uma das barracas que vendiam produtos oficiais da WWE.

- Os fãs ainda precisam aprender um pouco a se comportar. Sei que eles estão diante de um ídolo e que é normal ficarem um pouco descontrolados, mas eles também devem pensar nos outros que pagaram ingresso e querem assistir ao show. Muitos fãs ficavam em pé junto à grade de separação, atrapalhando a visão dos que estavam sentados tentando ver o espetáculo. Muitos também corriam pelos corredores quando os lutadores apareciam, sem se preocupar com quem estava na frente… um pouco de educação é bom.
– Outra ação que me incomodou foi a proibição da entrada de cartazes ao local do evento. Já tradição na WWE, os cartazes que o público leva aos eventos são um show à parte: bem-humorados, divertidos, criativos, artísticos… No estacionamento do ginásio, vi muitos fãs tirando fotos e exibindo orgulhosos os cartazes que fizeram para seus ídolos. E, não poder entrar com eles no local do evento foi, sem dúvida nenhuma, decepcionante! Com certeza, algo a ser repensado nos próximos eventos da WWE no país.
– A organização deveria planejar ações para aproximar os fãs de seus ídolos! Talvez uma sessão de autógrafos, fotos, etc. O contato entre os fãs e os lutadores foi praticamente inexistente. O público chegou mais cedo ao local do evento (alguns chegaram oito horas antes) na esperança de um contato que não aconteceu. O único que atendeu ao público presente, ainda no meio da tarde, foi o juiz Charles Robinson.

Eu e o juiz Charles Robinson…

- Por fim, acho que houve um exagero no caso de Chris Jericho e a bandeira. A luta livre é um grande teatro e Chris Jericho, como um personagem vilão, faz aquilo para inflamar a torcida. Sei que não se pode desrespeitar nossa bandeira, mas acho que a atuação da polícia foi um pouco demais, já que era uma atuação de Jericho. Se tivessem que abordar o lutador, que fosse algo mais discreto, o aguardassem nos bastidores… não tentassem invadir o ringue e interromper o espetáculo, como aconteceu.

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Bem, esta foi minha análise do primeiro show da WWE no Brasil. Adorei e, se houverem novos eventos, com certeza tentarei ir novamente.
E você, amigo leitor? Foi ao evento também? Conhece luta livre ou a WWE? O que acha do esporte? Mande sua opinião para a gente. ;)

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2 comentários

  1. Foi bom demais! Queremos WWE de volta ao Brasil e desta vez o Smackdown: Alberto DEl Rio, Big Show, Sheamus, o víbora Randy Orton…


  2. Amo John cena. s2



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